Cabral admite ter movimentado R$ 500 milhões de doações eleitorais, R$ 20 milhões para uso pessoal O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) é interrogado nesta sexta-feira (8) em processo que apura ocultação e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Ele disse que se perdeu em 'promiscuidade' de doações eleitorais.









Cabral admite ter movimentado R$ 500 milhões de doações eleitorais, R$ 20 milhões para uso pessoal

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) é interrogado nesta sexta-feira (8) em processo que apura ocultação e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Ele disse que se perdeu em 'promiscuidade' de doações eleitorais.




Por Gabriel Barreira, G1 Rio

08/06/2018 15h19 Atualizado há menos de 1 minuto




O ex-governador Sérgio Cabral disse em audiência que "se perdeu" na promiscuidade das doações (Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)



O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) é interrogado nesta sexta-feira (8) em processo que apura ocultação e lavagem de dinheiro na Lava Jato. O interrogatório é conduzido pelo juiz Marcelo Bretas. Na audiência, Cabral admitiu ter movimentado R$ 500 milhões em doações eleitorais, sendo R$ 20 milhões do total para uso pessoal.


No depoimento, Cabral disse que "se perdeu" na promiscuidade de doações. "A promiscuidade (de doações) foi muito grande e foi nessa promiscuidade que me perdi. Usei dinheiro de campanha para fins pessoais. Eu nunca pedi a um empresário que incluisse um percentual qualquer em nenhuma obra ou serviço do meu governo. Garanto isso ao senhor, falo em nome dos meus filhos e do neto que conheci essa semana", afirmou.


"Eu pedia dinheiro e campanha sim e era muito dinheiro sim. Em vez de ficar concentrado no meu governo, nas minhas realizações... o poder é algo tão perigoso".


"Eu não soube me conter diante de tanto poder e de tanta força política. E, de maneira vaidosa, quis fazer (eleger) prefeitos, vereadores, usar recursos", acrescentou.




Movimentação de meio bilhão de reais




Em relação às delações premiadas de doleiros e de seu ex-assessor Carlos Miranda, Sérgio Cabral admitiu ter movimentado cerca de R$ 500 milhões, conforme eles disseram. "Desse valor devo ter utilizado para uso pessoal em torno de R$ 20 milhões".


Questionado pelo juiz Marcelo Bretas se Cabral tem interesse em ressarcir os cofres públicos, respondeu; "Tenho sim".


No processo, ele é acusado junto aos doleiros Renato e Marcelo Chebar, além de seu ex-secretário Wilson Carlos e de seus assessores Carlos Miranda e Sérgio de Castro Oliveira, o Serjão.


Questionado pelo juiz Marcelo Bretas se Cabral tem interesse em ressarcir os cofres públicos, respondeu; "Tenho sim".


"Qual a importância de patrimônio estando longe dos filhos? Nada é mais importante", observou o juiz. "Então ofereça à Justiça, ao Ministério Público..."



"Vou oferecer", respondeu Cabral.


Somente nesta denúncia, o grupo é acusado de ocultar e lavar cerca de R$ 40 milhões, guardados no Brasil; US$ 100 milhões depositados no exterior; e mais quase R$ 10 milhões ocultados em joias, segundo o MPF.


O depoimento deveria ter ocorrido em fevereiro, quando Cabral estava preso em Curitiba. A defesa, no entanto, alegou cerceamento por conta da distância e ele ficou em silêncio.


O ex-governador foi transferido de volta para o Rio após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), assinada por Gilmar Mendes.


Um dia antes da audiência, na quinta, Cabral foi denunciado em outro processo da Lava Jato - a Operação Câmbio Desligo. Ele já é réu em mais de 20 processos e foi condenado em cinco, totalizando mais de 100 anos de prisão.

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