O pântano da quadrilha de Cabral



O pântano da quadrilha de Cabral



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2/2018 - 21h20 - Atualizado 08/02/2018 21h20








No sábado de Carnaval completa-se um ano desde que o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal que envolvia no mesmo pacote Sérgio Cabral e Eike Batista. Os procuradores acusavam o ex-governador do Rio de receber propinas para favorecer os negócios do magnata outrora bilionário. Esse processo ainda aguarda um desfecho – ao contrário de outras quatro ações em que Cabral era réu, que já tiveram um veredicto. Na soma, o político foi sentenciado a 87 anos de prisão. Transferido em janeiro por determinação dos juízes Sergio Moro e Bretas, o ex-governador deixou a cadeia de Benfica, no Rio, rumo a uma carceragem paranaense.

Decerto, o montante das penas será acrescido de algumas dezenas, ou mesmo centenas, de anos. As ações judiciais contra Cabral afloram em volume fabril. Só em 2018, a Justiça acolheu mais duas denúncias contra ele. No total, o ex-governador responde a 21 processos, acusado de praticar uma amplidão de crimes: corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, crime contra o sistema financeiro e evasão de divisas. Numa das condenações, ele é descrito na sentença como o “chefe da organização” que tomou de assalto o Poder Executivo fluminense.

Sabe-se agora que os malfeitos da quadrilha do ex-governador remetem ao início de seu primeiro mandato, em 2007. Para que pudesse fazer as falcatruas sem ser incomodado, recorreu à estratégia de cooptar aqueles a quem cabia a tarefa de fiscalizá-lo. Assim, o bando estendeu seu tentáculo ao Tribunal de Contas do Estado, onde, no ano passado, seis de seus sete conselheiros foram afastados por corrupção, acusados de agir em conluio com o Poder Executivo. A Assembleia Legislativa estadual também fazia parte do esquema. Estão trancafiados os últimos três presidentes da Alerj: além de Cabral, os deputados Paulo Melo e Jorge Picciani.
Pode-se dizer que o Ministério Público Estadual, que deveria supervisionar o executivo, foi no mínimo negligente

As detenções no alto comando do governo, do Parlamento e da Corte de Contas só foram possíveis graças ao trabalho da Lava Jato, muito embora todos os fatos deslindados pela operação já estivessem insinuados fazia tempo. Pode-se dizer também que o Ministério Público Estadual, outro vetor que deveria supervisionar os atos do Executivo, foi no mínimo negligente. É o que mostra a reportagem de Juliana Dal Piva. Com base na Lei de Acesso à Informação, ela imergiu nos arquivos do MPE, com foco nas investigações sobre o ex-governador que acabaram arquivadas. Foi o caso do acidente de helicóptero no litoral baiano, em junho de 2011, que deu uma pista da relação reprovável entre o ex-governador, o empreiteiro Fernando Cavendish e Eike Batista, todos eles encrencados na Lava Jato. Na queda da aeronave, morreram sete pessoas, entre elas a mulher do construtor e a namorada de um dos filhos de Cabral. Em algumas das ações, os promotores do MPE viram uma conduta imprópria do ex-governador, mas avaliaram que não configurava improbidade administrativa. Diante do que se descobriu depois, cabe um mea-culpa de todos que comeram mosca nessa história.

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