TRUMP E ISRAEL O RESGATE


A guerra de Trump
Ao ignorar aliados e anunciar a mudança da embaixada americana para Jerusalém — em um reconhecimento inédito da cidade sagrada como capital de Israel — o presidente dos EUA provoca a ira de palestinos, inviabiliza negociações de paz e coloca em risco os próprios cidadãos de seu país


REAÇÃO Manifestantes palestinos atacam forças israelenses na Cisjordânia, na sexta-feira 8: dias de fúria contra os EUA (Crédito: AFP photo / Hazem Bader)


Thaís Skodowski 08.12.17 - 18h00

AddThis Sharing Buttons
Share to Facebook1.5KShare to WhatsAppShare to TwitterShare to Google+Share to LinkedInShare to E-mail




Dias de fúria como há tempos não se via no Oriente Médio. Desde a quinta-feira 7, conflitos entre palestinos e israelenses avançaram pelas ruas de Belém e Ramala, na Cisjordânia, deixando ao menos 50 pessoas feridas. Na sexta-feira 8, um palestino foi morto a pauladas. Dois foguetes foram disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel, que reagiu com disparos efetuados por pelo menos um avião e um tanque de guerra. O movimento islâmico Hamas convocou uma “nova intifada” — a insurreição palestina contra a expansão territorial promovida pelo governo israelense — prevista para durar três dias, começando na sexta-feira 8. O grupo xiita Hezbollah anunciou uma onda de protestos no Líbano. Jerusalém entrou em estado de emergência. Houve marchas ruidosas também em países islâmicos como Malásia e Indonésia, ambos na Ásia. Foram essas as primeiras reações à irresponsável decisão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Na quarta-feira 6, Trump determinou que o Departamento de Estado dos EUA inicie a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a cidade que judeus, cristãos e muçulmanos têm como sagrada — e que os palestinos reivindicam como sede de seu Estado próprio. O anúncio de Trump tem complicações políticas e religiosas de dimensão ainda incerta. É como se ele tivesse, deliberadamente, dado motivos para iniciar uma guerra na região. O difícil é entender suas motivações. INIMIGO Foto de Trump é queimada em Belém: fim de uma solução de paz na região (Crédito:AFP PHOTO / Musa Al Shaer)

“Não está claro como isso ajuda a política americana no Oriente Médio e nem mesmo do ponto de vista doméstico”, diz Carlos Gustavo Poggio Teixeira, coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC-SP. “Essa é mais uma das ações do presidente americano que servem para energizar a sua base política, sem muitos ganhos além disso”, afirma. Ainda que o Congresso dos Estados Unidos tenha aprovado o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel em 1955, a aplicação da lei vinha sendo adiada nas últimas décadas por motivos de segurança nacional. Em junho, Trump também preferiu adiar a aplicação da lei por mais seis meses. Na semana passada, decidiu agir: “Meu anúncio marca o começo de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos”, disse Trump.
PUBLICIDADE

inRead invented by Teads




“Beijo da morte” BAIXA O palestino Mahmud al-Misri, morto por israelenses: volência pode sair de controle (Crédito:Ali Jadallah)

Do ponto de vista diplomático, a decisão do mais polêmico líder dos EUA já provoca desgaste. O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, pediu para que países árabes e muçulmanos expulsem os embaixadores americanos. Várias autoridades, incluindo presidentes de países aliados dos EUA, como a França, o Egito e a Turquia, se manifestaram contrários à decisão. O Papa Francisco se pronunciou alertando para os conflitos violentos e o temor quanto ao futuro da região. “Não posso calar minha profunda preocupação com a situação criada nos últimos dias sobre Jerusalém. Faço um apelo desesperado para que todos se comprometam a respeitar o status quo da cidade, em conformidade às resoluções pertinentes das Nações Unidas”, afirmou o pontífice.

Uma consequência direta da determinação de Trump é tornar inviável a negociação de paz entre Palestina e Israel. “Tratar Jerusalém como capital de Israel manda a mensagem de que a maior potência do mundo endossa a conquista de território pela força e busca conferir legitimidade à ocupação israelense dos territórios também na Cisjordânia e na Faixa de Gaza”, afirmou à ISTOÉ o pesquisador do Instituto Alemão de Estudos Globais, Kai Michael Kenkel. O representante-chefe dos palestinos do Reino Unido, Manuel Hassassian, disse que a ação foi um “beijo da morte para a solução de dois Estados”. Até então, os EUA agiam como um mediador entre os dois países em busca de uma solução pacífica. Agora, a condição é outra. Para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Trump “escolheu violar todas as resoluções e acordos internacionais e bilaterais e contradizer o consenso internacional expressado por posições de vários países do mundo”.




A medida, tomada de forma isolada, e sem apoio de outras nações, revela mais uma forma de agradar seu eleitorado do que garantir a paz mundial. O presidente cumpriu a promessa feita durante a campanha de 2016 para satisfazer sua base pró-Israel de direita. Para o pesquisador Kenkel, contudo, a decisão pode colocar os americanos em risco, na mira de novos ataques terroristas, dentro e fora dos Estados Unidos. Uma prova disso pode estar na ameaça feita ainda na quarta-feira pelo líder do Hamas Ismail Haniyeh, para quem o povo palestino “sabe como responder adequadamente ao desrespeito de seus sentimentos e santuários”.

O Brasil na criação do estado de Israel
BettmannEm 1947, o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha (1894-1960) presidiu a II Assembleia Geral das Nações Unidas, que sancionou o plano de partilha da Palestina, que previa a criação de duas nações independentes (uma árabe e outra judaica), além da internacionalização de Jerusalém sob o comando da ONU. Demonstrando talento para a articulação política, Osvaldo Aranha soube lidar com o regimento da ONU para ganhar tempo e garantir que 25 países votassem a favor da resolução (houve 13 votos contra, 17 abstenções e duas ausências). Os Estados Unidos e a União Soviética foram favoráveis. O resultado abriu caminho para a criação do Estado de Israel, proclamada em 1948 pelo líder sionista David Ben-Gurion, que exerceu o cargo de primeiro-ministro até 1963 RESPOSTA Em Gaza, palestinos queimam bandeiras de Israel (Crédito:Ezz al-Zanoun)



Solo sagrado

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel tomou quase 6 mil quilômetros quadrados da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental e mais de 20 aldeias ao leste, além das Colinas de Golã, da Síria, o Monte Sinai e Faixa de Gaza do Egito. Israel considera Jerusalém como sua capital “eterna e indivisível”, mas os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado. Para os judeus, é a cidade fundada pelo rei Davi e é o local onde foi construído um templo para guardar a Arca da Aliança, onde se encontram as tábuas dos Dez Mandamentos. Já para os muçulmanos, é onde o profeta Maomé ascendeu aos céus. Para os cristãos, foi em Jerusalém que Jesus foi crucificado, morto e sepultado. É possível na Cidade Velha, peregrinar pelas 14 estações em que se acredita que Jesus passou carregando a cruz até a Igreja do Santo Sepulcro, assim como visitar a mesquita de Al-Asqa, ver a Cúpula da Rocha e depositar votos de fé no Muro das Lamentações, que é parte do Templo de Jerusalém erguido pelo rei Herodes. Para o Ismail Haniyeh, do Hamas, a decisão de Trump “não mudará os fatos da história e da geografia”, mas ele alerta que o presidente dos EUA abriu “os portões do inferno para os interesses americanos na região”.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lideranças indígenas preparam relatório com problemas das aldeias no Tocantins Estado tem mais de 190 aldeias reconhecidas e catalogadas. Indígenas denunciam desmatamento ilegal, poluição e falta de assistência na área da saúde.

Cheon Il Guk Matching Engagement Ceremony- O REINO DOS CÉUS NA TERRA E NO CÉU

MENINA DE 15 ANOS É FLAGRADA FAZENDO SEXO EM SALA DE AULA. CONFIRA