Para Neris, Vanda foi retaliada porque sua pré-candidatura a estadual prejudica "pupilo do prefeito" Oposicionista se refere tacitamente a Tiago Andrino e diz que exoneração dos aliados da vereadora foi pedida por grupo da base que quer vaga na Assembleia


Para Neris, Vanda foi retaliada porque sua pré-candidatura a estadual prejudica "pupilo do prefeito"
Oposicionista se refere tacitamente a Tiago Andrino e diz que exoneração dos aliados da vereadora foi pedida por grupo da base que quer vaga na Assembleia
LUÍS GOMES, DA REDAÇÃO20 de Nov de 2017 - 16h17, atualizado às 17h32

Foto: Ascom Câmara de Palmas/Divulgação

Milton Néris: "Pediram a cabeça da vereadora Vanda para poder fortalecer dentro do grupo o projeto pessoal deles"


O vereador oposicionista Milton Néris (PP) afirmou em áudio nas redes sociais que a retaliação à Vanda Monteiro (PSL) não está limitada ao fato de ela ter votado pela criação de emendas impositivas no primeiro turno de discussão, mas também se deveria a um pedido de parte da base do prefeito Carlos Amastha (PSB) que pretende disputar uma cadeira da Assembleia Legislativa. Trata-se de uma referência ao vereador a Tiago Andrino (PSB), a quem chama de “pupilo do prefeito”. Tudo isto porque a parlamentar social-liberal teve a pré-candidatura a deputada estadual confirmada pelo partido, explica o pepista no áudio divulgado nas redes.

Ao comentar a retaliação, Milton Néris não deixou de criticar chefe do Executivo, mas aponta outras motivações para a exoneração de aliados da vereadora. “Acho que o prefeito deveria ter vergonha de fazer o que fez porque o gesto dele foi autoritário. Agora, tem outra coisa. O partido da vereadora Vanda [Monteiro] a lançou como pré-candidata a deputada estadual. O que está por trás das cortinas é que, ao lançá-la, entra em conflito com aqueles que querem se candidatar a deputado no grupo do Carlos Amastha”, resumiu.

Segundo o oposicionista, esta decisão “incomodou” alguns parlamentares da base. “Eles pediram que exonerassem o pessoal dela para que desse exemplo, por ela ter votado a emenda impositiva, mas tem uma questão política por trás”, afirmou Milton Néris, indicando Tiago Andrino como o principal pré-candidato a ser atingido por uma disputa com Vanda Monteiro. “E o mais prejudicado é o pupilo do prefeito Carlos Amastha. Porque acha que todo mundo tem que apoiar ele, tem que realizar o sonho dele ser deputado estadual”, ironizou.

O vereador pepista foi ainda mais duro com Andrino. “Ele sem a força da máquina não é nada, um zé ninguém. Tem que toda a estrutura da prefeitura fechar em torno dele para que possa obter êxito. É um pra nada, não tem luz própria. E o que foi feito? Pediram a cabeça da vereadora Vanda [Monteiro] para poder fortalecer dentro do grupo o projeto pessoal deles, principalmente do pupilo”, reforçou.

Apesar da medida, Milton Néris prevê que a retaliação tenha fortalecido a colega parlamentar. “Só que acho que ele deu com o burro n’água. Não contavam com a reação dos demais colegas, que foram solidários a vereadora Vanda [Monteiro]. O discurso deles é de quem realmente é comprometido com os colegas do Parlamento; mexeu com um mexeu com todos”, disse o oposicionista. “Acho que ela vai sair mais fortalecida porque pode virar a candidata do grupo. E aí o pupilo dançou. Vai ter que gastar mais do que na eleição de deputado federal”, concluiu.

O CT tentou contato com o vereador Tiago Andrino, mas as ligações não foram atendidas.

Entenda
A votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Lei Orgânica que cria a Emenda Impositiva ao Orçamento de Palmas virou rebelião da base governista depois que o prefeito Carlos Amastha (PSB) exonerou os aliados da vereadora Vanda Monteiro (PSL). Ela e outros quatro parlamentares da base - Felipe Martins (PSC), Marilon Barbosa (PSB), Etinho Nordeste (PTB) e Jucelino Rodrigues (PTC) - se uniram à oposição e votaram a favor da proposta que garantirá, se aprovada em segundo turno no dia 30, até o limite de 1,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) do ano anterior para vereadores distribuírem em suas bases.

Carlos Amastha, que já chegou a ter 13 vereadores, com este último episódio passa a ter apenas 5 pessoas na base, contra 9 na oposição e 5 independentes. O Blog CT apurou apurou que, por trás da votação em favor da emenda impositiva, existe uma imensa insatisfação de cinco vereadores com o tratamento desigual que Amastha dá à situação. Enquanto veem Tiago Andrino (PSB), Major Negreiros (PSB), Laudecy Coimbra (SD) — esposa do secretário de Governo, Júnior Coimbra — e o presidente da Casa, José do Lago Folha Filho (PSD), conseguindo o que querem, os outros cinco reclamam de ficar “com as sobras”.

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