As primeiras pancadas de Palocci anunciam o nocaute de Lula Se também Palocci está mentindo, o ex-presidente corrupto é vítima da mais feroz conspiração forjada por velhos companheiros


As primeiras pancadas de Palocci anunciam o nocaute de Lula
Se também Palocci está mentindo, o ex-presidente corrupto é vítima da mais feroz conspiração forjada por velhos companheiros
Por Augusto Nunes
access_time8 set 2017, 13h50more_horiz


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci - 10/03/2006 (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Para manter-se no emprego depois da descoberta do Mensalão, Lula começou a trucidar os fatos em 2005. Nunca mais parou. Essas sessões de tortura se intensificaram com a entrada em cena da Operação Lava Jato, e se tornaram mais frequentes e muito mais selvagens desde que o juiz Sergio Moro o condenou a nove anos e meio de prisão. Estuprar a verdade para safar-se da gaiola é o que o ex-presidente corrupto faz o tempo todo. Claro que diria que também Antonio Palocci resolveu mentir para livrar-se da cadeia. Ele sempre recita a mesma lengalenga de 171 quando um ex-comparsa aceita colaborar com a Justiça e contar o que efetivamente aconteceu.

Faz de conta que só Lula esteja certo. Faz de conta que todos os outros ─ o juiz, os procuradores, os delegados e agentes da Polícia Federal, os homens honestos, as mulheres sensatas e, naturalmente, os delatores ─ estejam mentindo. Se a hipótese correta for a segunda, Lula não é um perseguido político: por motivos misteriosos, é vítima de uma feroz e harmoniosa ópera dos traidores, encenada pelo elenco que inclui velhos amigos e antigos parceiros do maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Quem quiser engolir esse conversa fiada precisa explicar a afinação do diversificado grupo de atores que inclui Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, Delcídio do Amaral, Paulo Roberto Costa, João Santana, Mônica Moura, Emílio Odebrecht, Nestor Cerveró, Joesley Batista e, desde 6 de setembro de 2017, o protagonista Antonio Palocci. Fora o resto e sem contar os figurantes. Ninguém erra a letra. No ato que evoca as maracutaias envolvendo a Odebrecht, por exemplo, todos cantam em coro que Lula é o Amigo, que Palocci é o Italiano, que Guido Manega é o Pós-Itália ou que Gleisi Hoffmann é a Amante.

Lula anda mesmo sem sorte. Ele estava pronto para celebrar o sucesso da caravana que foi um fiasco quando soube que seu açougueiro predileto conseguiu anular a meia delação premiadíssima e terá de revelar o que fizeram juntos. Levado às cordas, ficou grogue com as novas denúncias da Procuradoria-Geral. Os socos no queixo aplicados por Palocci precipitaram o nocaute iminente.

A abertura da caixa-preta que mais apavorava o partido que virou bando deixou Lula mais perto do que nunca de uma cela em Curitiba. É o fim da linha para o chefão do maior esquema corrupto de todos os tempos.

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