O polêmico Tasso Sob fogo cruzado, o senador e presidente do partido tenta se equilibrar entre as correntes tucanas. O futuro do PSDB depende de como ele vai se mover de agora em diante


O polêmico Tasso
Sob fogo cruzado, o senador e presidente do partido tenta se equilibrar entre as correntes tucanas. O futuro do PSDB depende de como ele vai se mover de agora em diante



Ilimar Franco25.08.17 - 18h00

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O “galeguinho dos olhos azuis”, apelido do presidente nacional do PSDB e senador Tasso Jereissati (CE), sacudiu seu partido. Colocou no ar uma inserção de 30 segundos, onde pela primeira vez em sua história, os tucanos admitiram que cometeram erros. O partido vive, desde então, um vendaval interno. No início da semana, os aecistas estavam enfurecidos. Para eles, o programa tinha sido uma estocada desnecessária no senador Aécio Neves (MG), que foi afastado da presidência do partido, desde que mergulhou na Lava Jato. “O PSDB acertou quando criou o plano Real, mas agora errou”, diz o partido na abertura da inserção.”O PSDB errou e tem que fazer uma autocrítica”, explicou a locutora. Os governistas da legenda também envergaram a pluma. Não à toa. Um dos trechos do programa dizia que o governo Temer adotava um sistema “presidencialista de cooptação”. Ou seja, dando a entender que os tucanos que apóiam o governo o fazem por interesses não republicanos. Foi o estopim para a crise.

A ala dos insatisfeitos elevou o tom e pediu a saída imediata de Tasso da presidência do PSDB. Fiel a Aécio Neves, o deputado Marcus Pestana (MG) foi o primeiro a disparar contra o senador cearense. “Nós fizemos uma auto flagelação em 30 segundos na TV. Há entre nós os que avaliam que tudo faliu. Estão convencidos que o PSDB acabou”. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (SP), chegou a dizer que Lula e o PT deviam estar “soltando gargalhadas”. O publicitário Einhart Jácome da Paz, que produziu o conteúdo do programa tendo como base pesquisas de opinião, preferiu refugiar-se no silêncio. Pediu à sua equipe para fazer o mesmo, apesar do resultado altamente positivo verificado nas pesquisas qualitativas. Nelas, pequenos grupos, reagem na hora exata da exibição do programa. Um deles, lacônico, apenas comentou: “É muito difícil que as pessoas não concordem quando um partido diz que errou”. Na queda-de-braço, ao fim e ao cabo, prevaleceu a força dos tucanos de São Paulo, governador Geraldo Alckmin à frente, interessados na permanência do senador cearense no comando da legenda.

Na quinta-feira 24, após reunião com o próprio Tasso, Aécio abaixou as armas. “As divergências foram superadas e nós continuaremos na nossa trilha de construir um projeto para o País, e isso pressupõe um PSDB unido. E a unidade se dará em torno da interinidade do senador Tasso até o mês de dezembro, onde, aí sim, o PSDB elegerá uma nova direção representando todos os segmentos do partido”, afirmou.

Entre mortos e feridos, nem todos se salvaram. Os próprios paulistas que defenderam a manutenção de Tasso na presidência não gostaram da reação de alguns, como o senador Ricardo Ferraço, que chamou os tucanos de linha auxiliar do governo Temer. “Ele acaba de entrar no partido. Era do PMDB. É um desrespeito”, teria dito o ex-senador José Aníbal numa roda de parlamentares.

Presidencialismo de cooptação

Tasso quer tirar o pó das roupas do PSDB antes de enfrentar as eleições presidenciais do ano que vem. Como resume um senador tucano: “Todos achamos que é preciso descolar o partido de práticas combatidas pela sociedade, como a corrupção”. Os tucanos pretendem conquistar parcela dos movimentos que apostam na antipolítica. A ideia é alinhar ao seu candidato ao Palácio do Planalto organizações como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, que lideraram a luta pelo impeachment, tomando a Avenida Paulista com mais de um milhão de pessoas. Um serrista chegou a dizer: “Quando o presente é inconciliável, temos que fugir para o futuro”.

Mas nem tudo são flores. Fazer autocrítica não resolve a crise política enfrentada pelo País. Nem defender o parlamentarismo, como o programa liderado por Tasso fez, com a supervisão de caciques partidários, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que deu sustentação ideológica para a elaboração do programa. Os críticos de Tasso dizem que o partido não falou como irá enfrentar o drama dos 14 milhões de desempregados, entre outras coisas. Acham que o programa deveria ter dito que a crise do desemprego foi fomentada pelos governos petistas. Para os tucanos de mais peso hoje, o grande desafio é escolher um candidato a presidente da República, com reais perspectivas de vitória. E esse anúncio pode sair em dezembro, quando o PSDB faz sua convenção nacional. Até lá, deve permanecer o cabo de guerra entre os dois lados, com Tasso Jereissati na corda bamba.

“Não existem donos de partido”

O senhor esperava tanta repercussão quando criticou o “presidencialismo de cooptação”?
Esperava porque eu sabia que as pessoas iriam se surpreender com o programa em que o partido reconhece erros e procura fazer uma autocrítica. As pessoas não estão acostumadas com isso e, evidentemente, iriam se chocar.

O PSDB está dividido?
O PSDB não está dividido. Questões de divergências pontuais acontecem em todos os partidos, principalmente num partido como o nosso, que sempre foi democrático. Não existem donos de partido ou donos da verdade.

O senhor cogita sair da presidência?
Não existe essa cogitação. Nós vamos cumprir todo o programa que nos dispusemos a montar. Um deles é o cronograma de renovação das executivas estaduais, regionais e nacional até dezembro.

Como o senhor tem recebido as críticas à sua gestão?
Faz parte do jogo democrático da política

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